Racismo e Suicídio da População Negra
- thaynatandrade
- 10 de set. de 2021
- 2 min de leitura
O Racismo mata! Já abordei isso de diversas formas por aqui.Mas, uma delas é a morte autoinflingida causada por extremo sofrimento psíquico. Psiquicamente o racismo age através de mecanismos de violação consecutivas que, ao mesmo tempo em que revelam um padrão histórico de abuso racial, também envolvem memórias de uma violência coletiva. O choque racista é se defrontar no hoje com um passado racial que não passou, sendo reatualizado no presente na forma de violência, exercida por mecanismos diretos, indiretos ou sutis.
Setembro Amarelo se configura como o mês da conscientização sobre o suicídio e o quanto ele tem ceifado vidas brasileiras. Neste momento, abordarei as vidas negras que se foram. Importante iniciar dizendo que o suicídio é uma prática multifatorial que acontece por questões econômicas, sociais, biológicas e culturais. Ele se configura como desfecho de uma situação de sofrimento. Ninguém quer de fato se matar, deixar de viver é visto como uma solução para cessar a dor, quando não é mais possível para o sujeito vislumbrar saídas.
De acordo com o Ministério da Saúde, Adolescentes e jovens negros têm maior chance de cometer suicídio no Brasil. Jovens de 10 a 29 anos do sexo masculino apresentam um risco 50% maior do que jovens brancos na mesma faixa etária. Ou seja, além de serem os mais mortos pela política de segurança pública também são os jovens negros os que apresentam mais risco de cometer suicídio. E isso pode ser identificado por diversos fatores contingenciais ocasionados pelo racismo:
A maior parte da população pobre é negra, com negação deliberada de acesso a políticas públicas de educação, saúde, trabalho e renda de qualidade. A negação do negro como padrão de beleza e de amor em relacionamentos afetivos sexuais; a construção simbólica da identidade negra como inferior; O machismo e patriarcado acrescentados ao marcador racial que impõe que o homem negro seja o padrão de sensualidade e virilidade; A dificuldade de acesso a canais de saúde mental e de escuta psicológica, o preconceito de que quem busca apoio psicológico é “louco”, “fraco”. A negação da opressão, seguida de silenciamento e ausência de aparatos para combate ao sofrimento psíquico.
O levantamento, do Ministério da Saúde (MS), revela não somente uma disparidade racial, como também a necessidade de políticas públicas mais eficientes para a população negra. Não é possível sanar o racismo com uma única política reparatória, é necessário articulação de diferentes ações interseccionais. A discriminação por classe social, falta de perspectivas, violência, insegurança, desigualdade, falta de opções de cultura e desemprego também contribuem para esse resultado.
A Política Nacional de Saúde da População Negra (PNSIPN), criada em 2009 para garantir a equidade e a efetivação do direito à saúde de negras e negros, ainda é pouco aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS). O negacionismo do racismo institucional impede com que as políticas nacionais de combate ao racismo sejam implementadas.
Produzir saúde mental para as pessoas negras é um ato político. Não é uma tarefa fácil, exige ação coletiva e autoconhecimento. Exige se desvincular de um ato colonial que não passou. Mas essa tarefa pode ser executada coletivamente.
Você não está só! Busque apoio!






Acho que está faltando Deus na vida de todos.. essa baixa estima de querer viver vem de muitas coisas que nos acontece e assim deixamos esse sentimento ruim falar na nossas vidas,.