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Nação Ubuntu: pré-estreia no Rio com debate ao vivo

há 2 horas
4 min de leitura

Maick atravessou sozinho a fronteira do Congo, fugindo de uma guerra. No dia 3 de novembro, ele vai estar aqui. No Rio.

A história dele, e a de Prince, Felly e Frank, virou cinema: Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados. Eu vi o filme no Festival do Rio, a convite da Fraternidade sem Fronteiras. E saí de lá completamente diferente.

Agora ele ganha uma pré-estreia no Rio, com três dos protagonistas na sala. Quero te convidar. Mas antes, quero contar por que esse filme importa tanto.


Thayná Andrade com a equipe da Fraternidade sem Fronteiras no painel do Festival do Rio, na pré-estreia de Nação Ubuntu
Lançamento do filme no Festival do Rio. Thayna Trindade e equipe fraternidade sem fronteiras

O filme: quatro refugiados que decidiram construir

Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados é um documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle e produzido por Iafa Britz, da Migdal Filmes. Teve sua première mundial no Festival do Rio 2026, na mostra O Estado das Coisas da Première Brasil.

Fontenelle tem uma longa trajetória no documentário brasileiro. Dirigiu Loki – Arnaldo Baptista (2008), que lhe rendeu o prêmio de melhor direção de documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, além de Dossiê Jango (2013) e Cássia (2014), sobre Cássia Eller.

Iafa Britz, à frente da Migdal Filmes, produziu a trilogia Minha Mãe é uma Peça, um dos maiores fenômenos de público do cinema nacional. Nação Ubuntu nasceu do contato dela com o trabalho da Fraternidade sem Fronteiras. O filme tem investimento do Fundo Setorial do Audiovisual e distribuição da Downtown Filmes.

O filme acompanha Felly, Prince, Maick e Frank, quatro congoleses que fugiram da guerra e foram parar em Dzaleka, um campo de refugiados no Malawi. Um lugar feito para a espera.

Dzaleka foi criado em 1994 para receber dez mil pessoas. Hoje abriga cerca de 60 mil, vindas sobretudo do Congo, mas também de Ruanda, Burundi, Moçambique e Somália. Os refugiados não podem sair do campo nem exercer atividade profissional.

E ali, diante de tanta devastação e desesperança, eles decidiram construir. Em 2018, encontraram a Fraternidade sem Fronteiras e ajudaram a criar a Nação Ubuntu, primeiro projeto da organização no Malawi. Levantaram escola, cozinha, chão.

A Fraternidade sem Fronteiras é uma organização humanitária brasileira fundada em 2009, com sede em Campo Grande (MS) e projetos no Brasil e em países como Malawi, Moçambique, Madagascar, Senegal, Burundi e República Democrática do Congo.

cartaz filme nação ubuntu

O contexto: uma das maiores crises humanitárias do mundo

Hoje, a República Democrática do Congo vive uma das maiores crises humanitárias e de deslocamento forçado do mundo. Segundo a ONU, 18,5 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária no país em 2026. São milhões de deslocados internos e centenas de milhares de refugiados.

No leste, grupos armados como o M23 dominam o território. Cada pico de violência empurra novas ondas de gente para a estrada. Para dentro do país. Para os vizinhos. Para o Malawi, onde o filme foi gravado.

Mas a emergência não cabe no número de quem deixou a casa. É a perda da comunidade, da terra, da escola. É a família separada. É a violência que fica no corpo.

E essa guerra não é só deles. Ela é mantida por interesses estrangeiros e coloniais: quem controla terras, minas, rotas comerciais e territórios estratégicos.


A infância e o trauma que não se mede

No campo, quem mais sente são as crianças. Hoje, os líderes Ubuntu cuidam de crianças resgatadas da guerra. Maick, por exemplo, coordena no Burundi um projeto de acolhimento para elas.

Eles sabem algo que a clínica também ensina: o trauma de uma criança não cabe em número nenhum. Ele atravessa gerações, mora no silêncio e reaparece onde ninguém espera. Cuidar da infância não é caridade. É a única aposta possível num futuro que não repita o passado.

caravana fraternidade sem fronteiras auxilia criança refugiada no programa nação ubuntu

Ubuntu: eu sou porque nós somos

Ubuntu é uma palavra que não se traduz. Se pratica. Eu sou porque nós somos.

No filme, ela é o grito de vozes que não aceitam ser silenciadas. E que ecoam em cada um de nós que resiste à injustiça, à miséria, à desigualdade, ao racismo.

Talvez essas vozes nunca tenham sido baixas. A gente é que não estava escutando. Aprendemos a olhar para a África como paisagem de dor, quase nunca como lugar de pensamento, de organização, de liderança. O filme desloca esse olhar. E deslocar o olhar já é, em alguma medida, reparação.

Por isso esse filme é fundamental. Movimentos sociais, educadores, pessoas que acreditam que o mundo precisa mudar: esse filme é para vocês.


Serviço: pré-estreia de Nação Ubuntu no Rio

Vem escutar. Quem estiver lá vai sair diferente também.



Filme

Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados (documentário, 87 min)

Direção

Paulo Henrique Fontenelle

Produção

Iafa Britz (Migdal Filmes)

Data

3 de nov. de 2026

Horário

21h às 22h45

Local

Kinoplex Shopping Leblon, Av. Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon, Rio de Janeiro

Debate

Com Prince Kalolo, Felly Zihalirwa e Maick Mutej, após a sessão

Ingressos

Estreia nacional

12 de novembro de 2026

Os ingressos são retirados pelo Sympla: garanta o seu aqui.


Fontes

 
 
 

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