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Eu vi

Eu vi mulheres que não acreditam em si mesmas, que se acham gordas, que se acham feias. Que acham que não são merecedoras de amor, de tesão e paixão. Que acham que são inferiores a outras pessoas, que são dependentes de alguém para validar o que sentem. Eu vi mulheres que foram chamadas de depressivas, histéricas, loucas, megeras, inúteis, horrorosas.



Eu vi mulheres felizes, que se amam e amam um monte de outras pessoas. Mulheres que se maquiam e que não usam maquiagem. Que foram chamadas orgulhosamente de mulheres que tem sucesso. Eu vi uma mulher correr pelo campo pelo simples fato de estar livre. Eu vi mulheres do primeiro parágrafo passarem para o segundo.


Eu vi mulheres pobres, negras, brancas, quilombolas, ricas, loiras, cacheadas, sensuais, desajeitadas, altas, baixas, churrasqueiras, veganas, de humanas, de exatas, de biológicas, técnicas, filosofas, umbandistas, budistas, maoísta, neoliberais, capitalistas, socialistas, sustentáveis. Eu vi fotos de mulheres, vídeos, áudios, textos, cards, desenhos, massinha. Eu vi cabelo, coxa, peito, boca, seio, mãos e pés.


Eu vi uma mulher, depois eu vi duas, então eu vi três, até que perdi a conta e já eram muitas! Muitas vozes diferentes ecoando na minha cabeça e no mundo, dizendo que existem! Que sofrem, se afetam e que são tristes e felizes. Que respiram, que vivem e que morrem. Que devem e querem ser respeitadas, amadas, livres, diferentes, satisfeitas.


Eu vi uma lagarta virar borboleta.


Eu vi você.


Thayná Trindade

 
 
 

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