top of page

Consciência negra: o que tá faltando, Brasil?



Fiquei pensando sobre o que escrever sobre o dia da Consciência Negra e me deu grande desgosto e insatisfação. O texto não saía, não fluía e eu simplesmente não entendia.


No primeiro momento não encontrava nenhum tema novo ou frase de efeito que pudesse dizer aquilo que deveria dizer, ou seja, mais uma vez o óbvio. Então, conclui que ia escrever sobre justamente a obviedade e meu cansaço. Estamos dizendo o óbvio e eu estou extremamente cansada de dizer palavras em vão, sobre um assunto ou temática que eu não precisaria estar fazendo.


Estou cansada, triste, indignada e com raiva, tudo ao mesmo tempo. O que está faltando para a sociedade entender que todos os seres humanos merecem respeito, dignidade, igualdade de condições? Qual frase ainda precisamos dizer para que isso mude? O que está faltando? Será mesmo que ainda precisamos dizer algo? Ou é tão claro, como farol alto na estrada noturna, que brilha e cega e que, de tão nítido, é deliberadamente ignorado? Fico com a última hipótese.


Meu desanimo e meu cansaço são por fata de reconhecimento. Falta de reconhecimento das lutas e pautas da população negra. Pelas inúmeras palavras, frases, textos, vídeos, memes, cartazes, musicas, charges, manifestações e processos judiciais que tem ecoado no Vazio! A cada cidadão preso nas jaulas legais construídas pelo Estado. A cada mulher negra vítima de feminicídio, a cada jovem negro sem identidade e estudo que não consegue uma “colocação no mercado porque não se esforçou bastante”. A cada pai e mãe negros chorando a morte dos seus filhos vítimas de “bala perdida”. A cada fila do SUS e a cada fila de misérias para Auxilio Brasil. A cada criança com fome, sinto que foi uma palavra minha ecoada no vazio, no não querer do outro Ouvir. E com ouvir quero dizer mover estruturas que possibilitem efetivamente a mudança.


Vou chorar hoje. Mas amanhã vou levantar a poeira e viver meus dias, enxugar as lágrimas e seguir movimentando todas as lutas e tudo aquilo que quero movimentar, simplesmente sem ligar para o que aqueles que não me respeitam, me exploram e nem me reconhecem, querem de mim. Eu não desisto porque não posso, mas me canso todos os dias que paro para refletir.


 
 
 

Comentários


bottom of page